Estou no período de dormência e quero despertar logo. Quero perpetuar nos olhos do mundo, o que como tudo, um dia murchará.

 

Floresço

Qual é o socorro de quem não pode gritar? Há linhas telefônicas que nos levem à pessoas boas que curem máculas?

Eu permaneço, cuidando da flor que plantei e rego, com solidão. Eu prefiro cada minuto sozinha que ecoa no meu túnel de 10 km. Eu o percorro andando, de olhos fechados e vou descalça. Quando chego no final e encontro o mais belo dos clarões, o vejo sair dentro de mim. Quietamente. 

É meditação, se reunir internamente e prestar atenção no silêncio que as asas da borboleta não fazem. Tocar no nada e sentir. Se transformar, voltar ao casulo, tornar-se bonita.

Eu desperto com pólen dentro das mãos e não espalho. Eu quero florir, internamente. Não é porque é flor que precisa ser de amor, flor é ser e sente. A Rosa desbotada em cima de um túmulo ou dentro do diário da pequena apaixonada, vês a diferença?

Encontrarás flores dentro de mim, rosas, amarelas, azuis, brancas, doces orquídeas, jasmins! Porque eu floresço mesmo quando feneço. 

As borboletas me habitam, tantas já se foram e hoje meu bem, elas estão em seus casulos e eu fico, à conversar, com as folhas do outono passado.

-Raquel de Souza Coronel

(Source: abimocorde)